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terça-feira, 14 de abril de 2020

Confiança mútua é fundamental para cooperação China-Brasil

Fonte: Diário do Povo Online    14.04.2020 11h18

Hannan Hussain
Nota do editor: Hannan Hussain é analista de segurança da Escola London de Economia - Centro da Ásia do Sul. O artigo reflete as opiniões do autor, não necessariamente as opiniões do Diário do Povo Online.
Após uma semana de acusações impressionantes do ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub, contra Beijing, a Embaixada da China deu sua resposta, oferecendo pistas sobre como recuperar a cooperação com a Covid-19. Alegações tóxicas de nomear o Covid-19 como o "vírus chinês" e ameaças veladas da "dominação mundial" de Beijing adicionaram uma camada de tensão nos laços diplomáticos, o que derrota o propósito de uma frente unida nos tempos de teste.
O governo chinês está correto ao afirmar que "nenhum país pode enfrentar sozinho os desafios da pandemia" - e é por isso que Beijing sempre esteve aberta para facilitar a busca do Brasil por suprimentos médicos. No entanto, relatos de 15.000 ventiladores que "não conseguiram passar" deu origem a especulações indesejadas de que os fabricantes chineses de equipamentos médicos estavam" lucrando "com a pandemia e relutavam em priorizar as necessidades do Brasil.
"Praticamente todas as nossas compras de equipamentos na China não estão sendo confirmadas", disse o ministro Luiz Henrique Mandetta em uma entrevista coletiva na semana passada - tornando conveniente que o assunto seja amplamente politizado.
Se houvesse alguma verdade no desenvolvimento, as empresas chinesas nunca teriam entregue com sucesso cerca de 40 toneladas de máscaras e kits de teste ao Brasil no meio da crise de suprimentos do país. As seis milhões de máscaras foram acompanhadas por outros equipamentos de proteção, totalizando 30 milhões de dólares americanos. Assim, é do interesse do governo brasileiro manter esses fatos positivos bem integrados no discurso nacional existente e sustentar um ambiente mutuamente benéfico que promova a confiança recíproca como prioridade-chave.
O Brasil, que está no centro da luta da América Latina contra a Covid-19, tem sido constantemente reconhecido por Beijing como um parceiro crucial na luta global da pandemia. Um exemplo estelar desse reconhecimento é a correspondência do presidente chinês Xi Jinping com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro no mês passado.
"A China sempre aderiu ao conceito de comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. A China divulgou as informações da epidemia de maneira oportuna, aberta, transparente e responsável e compartilhou a experiência de prevenção, controle e tratamento com a Organização Mundial de Saúde e a comunidade internacional e prestou assistência a muitos países", disse o presidente Xi. "Estou muito preocupado com o desenvolvimento da pandemia no Brasil e espero que o Brasil possa impedir a propagação da doença o mais rápido possível", acrescentou.
Para sustentar esse sentimento, uma das principais condições prévias é evitar a estigmatização da Covid-19 em relação à China. Numerosas tentativas de autoridades brasileiras, incluindo o deputado Eduardo Bolsonaro, consideraram a China "culpada" pela pandemia, enquanto afirmava que "liberdade é a solução".
As hostilidades, se repetiram semanas mais tarde pelo ministro da Educação do país, Abraham Weintraub, dando origem a um grau de especulação que contrariava as negociações de fornecimento do ministério da saúde com Beijing. "Se eles [China] nos venderem mil ventiladores, eu vou me ajoelhar em frente à embaixada, pedir desculpas e dizer que eu fui um idiota ", disse Weintraub em uma entrevista de rádio.
Essa linha de ataque precisa parar para o bem de todos.
Também é importante observar que Beijing nunca generalizou nenhuma afirmação infundada sobre toda a liderança brasileira durante a pandemia. Isto porque a China reconhece a posição meritória adotada pelo estabelecimento político e civil mais amplo do Brasil para promover a causa da cooperação.
O apoio variou de maiorias públicas a partidos da oposição, acadêmicos e meios de comunicação - onde os principais interessados se manifestaram contra a estigmatização injusta da Covid-19, refletindo o consenso da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que os vírus não devem estar vinculados a países e regiões específicos. É este mesmo sentimento que merece ser levado adiante entre dois parceiros de longa data, especialmente quando a pandemia da Covid-19 cobra seu preço globalmente.
As evidências de outros países refletem a utilidade da coordenação intergovernamental na superação de reservas de suprimentos médicos. Um belo exemplo é a estreita cooperação da China com o governo holandês no mês passado, onde reservas de mais de 600.000 máscaras fabricadas na China foram sujeitas a uma investigação formal, apenas para o melhor interesse de ambas as partes. A estreita coordenação diplomática e a rápida assistência chinesa ao México - um aliado próximo de Beijing e Brasília - reforçaram novamente os méritos da coordenação intergovernamental durante a pandemia da Covid-19.
Observe que também está em andamento uma campanha maliciosa para explorar o suporte no combate à Covid-19 da China à América Latina. Surgiram relatórios sensacionais na semana passada, alegando que o presidente Xi "recusou-se a falar" com o presidente Bolsonaro quando este chegou a público. Informações sobre os sentimentos públicos também foram distorcidos para indicar falsamente "danos à imagem chinesa" nos círculos de mídia social do Brasil.
Na realidade, mais de 90% dos postos de mídia social no país condenaram posições racionalmente provocativas ao servir autoridades, acompanhadas pelo endosso categórico ao apoio chinês.
É nesse cenário que Brasília deve alavancar a disposição de Beijing de se envolver em uma coordenação direta de estado para estado em caso de qualquer assistência ou reserva futura. Recorrer a indignações desnecessárias em fóruns públicos não só prejudica o potencial de superação da pandemia de Covid-19, mas dá combustível às agendas delimitadas de entidades ocidentais selecionadas.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Brasil e China caminhando com o mesmo objetivo

Estudo conclui que empresas chinesas são bem-vindas na América Latina

Trabalhadores instalam linhas energéticas em Belo Monte, parte do projeto de transmissão UHVDC de ± 800kV mais longo do mundo.

De acordo com um relatório divulgado na terça-feira, os principais países na América Latina têm uma impressão geralmente positiva das empresas chinesas, com 73% dos entrevistados enunciando referências positivas das empresas chinesas.
Segundo o relatório, o Brasil tem a melhor percepção geral das empresas do país asiático, com 81% dos inquiridos expressando uma impressão positiva das operações locais das empresas chinesas. Seguiu-se o México com 73%, o Chile com 71%, o Peru com 71% e a Argentina com 67%.
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Os resultados do relatório indicam que as empresas chinesas estão se tornando cada vez mais integradas no desenvolvimento econômico global, à medida que a China cresce e a iniciativa do “Cinturão e Rota” avança, explica Du Zhanyuan, chefe da Administração de Publicação de Línguas Estrangeiras da China.
"Face à nova situação, com uma abertura contínua e uma situação internacional complicada e em mudança, as empresas chinesas precisam se esforçar para firmar a sua imagem no exterior", disse Du, na terça-feira, durante a Cúpula Global da Imagem das Empresas Chinesas 2019.
A revista China Report, a Academia de Estudos Contemporâneos da China e do Mundo, e a empresa de pesquisa Kantar China divulgaram o Relatório Global de Pesquisa da Imagem das Empresas Chinesas (América Latina) durante a cúpula em Beijing.
De junho a Agosto, 2500 questionários online foram coletados nos cinco países.
A percepção favorável dos entrevistados sobre as empresas chinesas foi maior que as dos EUA (71%) e da França (62%), mas menor que as do Japão (84%) e da Alemanha (80%), segundo o relatório.
Os entrevistados disseram estar otimistas com o crescimento econômico da China na próxima década. Até 94% disseram que a economia continuará crescendo nos próximos 10 anos. 
Fonte: Diário do Povo Online

São Paulo lidera movimento de Estados brasileiros em aproximação com China



O Estado de São Paulo é o primeiro a ter um escritório permanente para atração de negócios e facilitação de investimentos na China e, mesmo com a iniciativa pioneira, não para de buscar mais conexões. Em 2020, o Estado estará à frente de três missões ao país asiático.
Na primeira missão, outra novidade: os sete governadores das regiões Sul e Sudeste do Brasil estarão juntos. Eles formam o Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud).
A viagem dos governadores à China está marcada para junho de 2020 e terá como prioridade explicitar aos chineses os programas de de investimento dos respectivos estados. 
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De olho nestes movimentos, São Paulo abriu um escritório do InvestSP, plataforma ligada à administração estatal, na cidade chinesa de Shanghai em agosto deste ano e já tem 32 empresas brasileiras parceiras. Desde então, segundo o governador, 21 novos projetos chineses estão sendo pensados para São Paulo e, se concretizados, somariam US$ 24,8 bilhões de investimentos. O governador de SP afirmou que o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) deverá garantir o aporte de US$ 20 bilhões para o Estado, enquanto outros US$ 4,8 bilhões seriam de responsabilidade de empresas privadas. São Paulo será a sede do NDB no Brasil, que deverá começar a operar em 2020.
Para o presidente da InvestSP, Wilson Mello, a decisão de ter um escritório em Shanghai foi acertada. Entre as 32 companhias brasileiras, algumas querem acessar o mercado chinês e vender aos consumidores locais, enquanto outras buscam parceiros de negócios ou fornecedores entre os produtores chineses. 
A experiência de um escritório internacional de um Estado como o de São Paulo é considerada positiva e, por isso, uma representação será aberta em Dubai, em fevereiro de 2020.
Fonte: Agência Xinhua