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quinta-feira, 31 de março de 2022

O paraíso dos arquitetos - Doha: as mesquitas e os arranha-céus que florescem no deserto

 A capital do Catar, país do Oriente Médio, tem uma singularidade que se expressa nas flores que brotam em seus desertos. E Doha ainda sabe conservar sua tradição, aliando-a a muita modernidade. Neste artigo, conheça esse centro mundial da inovação, arquitetura e história entre mesquitas e arranha-céus!

À direita, o moderno Museu de Arte Islâmica. Ao fundo, os arranha-céus, em meio à cultura histórica da pesca

Vistos de longe, hoje os arranha-céus predominam em Doha. No entanto, em seu passado, só casas artesanais eram observadas, e bem de perto, dado o tamanho.

Detalhes do histórico Souq Waqif, que traz os primeiros tipos de construção da cidade: lama, madeira e pedras

Doha é uma cidade localizada na costa do Golfo Pérsico, fundada em 1820, com uma economia local baseada na pesca e no comércio de pérolas.

No começo, o pequeno vilarejo só tinha casas de barro, madeira, pedras e corais. Tudo muito simples, mas que já era inventivo, por causa da extrema falta de infraestrutura.

Em 1971, o Catar declarou sua independência e deixou de ser um protetorado britânico. O país, que era protegido por um estado grande e com muitos recursos, ganhou autonomia. Era o início do desabrochar de Doha como uma cidade símbolo da inovação do Oriente Médio.


A ascensão como capital
A velocidade da construção dos arranha-céus mostrava a potência da cidade, que continua em ritmo acelerado

Antes de Doha germinar como uma potência econômica e, principalmente, como um ícone da arquitetura avançada, sofreu uma depressão. Isso deixou o povo local na miséria.

O motivo foi que a cidade deixou de comercializar suas próprias pérolas quando o Japão começou a vender o mesmo produto, em volumes maiores e valores mais atrativos.

Essa crise cessou no final da década de 1930, quando Doha descobriu ser uma verdadeira terra do petróleo. Uma riqueza que existe em abundância até hoje na cidade, que produz 800 mil barris por dia.

Um dos primeiros indícios arquitetônicos de que Doha estava prestes a viver uma ascensão apareceu em 1979. Em formato de pirâmide, o Hotel Sheraton foi erguido em um horizonte ainda sem prédios, com 10 mil m² e padrão 5 estrelas.

O início, o meio e a continuação: o doha, em formato de pirâmide, os arranha-céus prontos e os novos em construção logo adiante

Doha se torna a cidade das mesquitas e de um belo skyline

Da história de Doha, muitas construções icônicas e sagradas permanecem, fazendo jus ao seu passado de emancipação e conquistas. 

Fotografada à noite, a Aspire Tower mostra seu projeto de iluminação avançado

Ao longe, a torre só parece um centro de observação do céu de Doha. Mas, na verdade, ela reserva muito mais do que uma vista privilegiada.

A construção de 318 m remete a uma mão segurando uma tocha. O design homenageia e marca um dos trunfos de Doha, que sediou os Jogos Asiáticos de 2006. Com a Copa do Mundo de 2022 no Catar, será mais uma oportunidade para a torre exibir toda sua beleza aos turistas ávidos por esporte.

No topo e na base, a Aspire Tower é a morada de dois restaurantes imensos. E como se não bastasse, o projeto abriu espaço em seus andares intermediários a um hotel 5 estrelas. 


Com uma simulação perfeita da “rosa do deserto”, a obra é uma exposição permanente por si só

Simbolizando a “rosa do deserto”, um tipo de formação rochosa que brota nesse terreno, o Museu Nacional do Catar mostra o que há de mais moderno em Doha.

O projeto, inaugurado em 2019, tem assinatura do arquiteto francês Jean Nouvel, ganhador do Prêmio Pritzker em 2008. Nele, Nouvel traz discos imensos apoiados uns nos outros em variadas posições que simulam a formação orgânica da “rosa do deserto”.

No total, o complexo abrange 8 mil m², ocupados por exposições de poesia, arqueologia, música, esculturas e tudo o mais que o edifício comporta. Vale reforçar que o museu também traz a história do Catar, das pescas de pérolas à descoberta do petróleo.

KATARA CULTURAL VILLAGE

O lado colorido do centro cultural, que ainda tem anfiteatro e muitas salas com exposições e atividades

O maior centro cultural de Doha tem em seu exterior a fusão de dois tipos de designs. Acoplada a um bloco grande no centro, uma entrada revestida com pedras coloridas e detalhes incríveis. Já no pavilhão maior, o aspecto de mesquitas com tons terrosos recobre o edifício.

Para além da arquitetura e do design de interiores, o espaço privilegia o teatro, o cinema, as artes plásticas, a pintura, a música e as demais artes que Doha inspira e expira.

ESTÁDIO AL THUMAMA


Com a Copa do Mundo de 2022 logo chegando à Doha, a cidade se prepara com oito estádios de porte magnânimo. Um dos mais imponentes é o Al Thumama, com assinatura do arquiteto catarino — cidadão que nasce no Catar — Ibrahim M. Jaidah.

O local, com capacidade para 40 mil torcedores, não só prestigia o esporte, como a cultura muçulmana. Seu design é inspirado nas tramas de tecido da gahfiya, a touca branca que recobre a cabeça dos homens do Oriente Médio.

O adereço homenageado foi uma escolha estratégica e avançada. Ele simboliza liberdade e dignidade — virtudes muito ligadas à história do Catar e, principalmente, de Doha, que cresceu e elevou o país à prosperidade.


Fonte: archtrends.com/blog/doha/

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