Os trens mais impressionantes da China: engenharia que atravessa montanhas
Pontes monumentais, túneis quilométricos e ferrovias construídas em terrenos desafiadores revelam como a engenharia chinesa está transformando a maneira de viajar pelo país.
Introdução — quando a engenharia transforma a paisagem
Imagine viajar em um trem moderno, observar montanhas imponentes pela janela e, poucos minutos depois, atravessar uma ponte elevada sobre um vale profundo. Em seguida, o trem desaparece em um túnel escavado na rocha e reaparece em uma paisagem completamente diferente.
Essa experiência faz parte de algumas viagens ferroviárias pela China, país que investiu fortemente na construção de uma extensa rede de trens de alta velocidade e em projetos de engenharia capazes de superar obstáculos geográficos complexos.
Em diversas regiões chinesas, o relevo montanhoso exige soluções sofisticadas: viadutos elevados, túneis extensos, pontes de grandes dimensões e traçados cuidadosamente planejados para conectar cidades, centros econômicos e destinos turísticos.
Essas obras não são apenas demonstrações de capacidade tecnológica. Elas também modificam a experiência de viajar, aproximando regiões e permitindo que visitantes descubram paisagens antes mais difíceis de alcançar.
Para quem ama turismo, fotografia e inovação, conhecer as ferrovias chinesas é descobrir uma atração que muitas vezes passa despercebida: a própria viagem pode ser tão interessante quanto o destino.
Guiyang–Libo: uma ferrovia que atravessa montanhas e vales
No sudoeste da China, a província de Guizhou oferece alguns dos exemplos mais expressivos da integração entre ferrovias modernas e terrenos montanhosos.
A ligação ferroviária de alta velocidade entre Guiyang e Libo foi projetada para vencer uma geografia marcada por montanhas, vales íngremes e formações rochosas.
Segundo informações divulgadas pelo governo chinês, esse trecho reúne 86 pontes e 62 túneis, que representam cerca de 90% de sua extensão.
Chengdu–Guiyang: uma viagem entre montanhas e grandes obras de engenharia
A ligação ferroviária entre Chengdu e Guiyang é outro exemplo da transformação dos transportes no sudoeste chinês.
Inaugurada em dezembro de 2019, a linha de aproximadamente 650 quilômetros atravessa terrenos montanhosos e utiliza numerosos viadutos e túneis. Em um trecho de cerca de 370 quilômetros, aproximadamente 85% do percurso é composto por essas estruturas.
Para o turismo, essa infraestrutura oferece uma vantagem significativa: facilita o planejamento de visitas a uma região natural de grande beleza, que anteriormente exigia um deslocamento terrestre mais longo.
Sob a Grande Muralha: o túnel de Badaling
A região de Badaling, uma das áreas mais conhecidas da Grande Muralha, guarda um exemplo extraordinário de engenharia subterrânea.
Na ferrovia de alta velocidade Beijing–Zhangjiakou, o Novo Túnel de Badaling atravessa a região montanhosa e passa por baixo de setores da Grande Muralha. A obra tem aproximadamente 12 quilômetros de extensão, de acordo com a Administração Nacional de Ferrovias da China.
A linha chegou a Lhasa em 2006 e é reconhecida pelos desafios ambientais e técnicos enfrentados durante sua construção. Entre eles estão o solo permanentemente congelado em determinados trechos, as baixas temperaturas, a altitude elevada e a necessidade de proteger ecossistemas frágeis.
Uma experiência turística singular
Para os passageiros, a viagem pode revelar paisagens muito diferentes das encontradas nas grandes cidades chinesas: horizontes amplos, montanhas distantes, lagos, pradarias e, em determinados trechos, animais adaptados às condições do planalto.
Entretanto, é importante lembrar que a Ferrovia Qinghai–Tibete não é simplesmente mais uma linha de alta velocidade. Trata-se de uma ferrovia de grande altitude, com características operacionais próprias e uma proposta de viagem diferente da oferecida pelos trens rápidos que conectam Beijing, Shanghai e outras metrópoles.























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