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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Os guerreiros de terracota do imperador Shihuangdi

 O primeiro imperador da China mandou construir um mausoléu para usufruto na eternidade, fazendo-se proteger por um exército de guerreiros de terracota.

por: Marcos Martinón-Torres, Xiuzhen Li, Andrew Bevan, Thilo Reheren


O primeiro imperador da China unificada, Qin Shihuangdi, quis viajar em segurança para o Além. Para tal, fez-se acompanhar de um gigantesco exército de guerreiros de terracota que deveriam proteger o seu túmulo para toda a eternidade.

complexo funerário do primeiro imperador da China é um sítio arqueológico excepcional pelo seu tamanho e complexidade. Os trabalhos de prospecção e reconhecimento no terreno identificaram já cerca de seiscentas fossas num espaço que abarca perto de 100 quilómetros quadrados. A escala deste local, equiparável à de uma cidade, torna-se mais impressionante se tivermos em conta que todas as estruturas enterradas em Xi’an foram erguidas em menos de 40 anos e para servir uma única pessoa.

Um colossal mausoléu

O túmulo do imperador é o elemento mais visível e importante do complexo funerário e constitui também uma das maiores fontes de enigmas. Enquanto a maioria das estruturas documentadas pelos arqueólogos se encontra no subsolo, o túmulo imperial ergue-se como uma imponente colina artificial com mais de 50 metros de altura, com arestas que lhe dão a forma de pirâmide.

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©FUNDAÇÃO CV MARQ
A fotografia aérea mostra em toda a sua magnitude as dimensões do mausoléu do imperador Qin Shihuangdi em Xi’an, que continua a ser escavado na atualidade.

Qin Shihuangdi
Qin Shihuangdi era o soberano de Qin, o reino no Oeste da China, sob cuja liderança terminou a conquista dos restantes seis reinos nos quais se dividia o país no final da época dos Reinos Combatentes (450-221 a.C.). Segundo as fontes históricas, as guerras entre estes tinham tido um custo de 1.128.000 mortos. Por fim, Qin impôs-se aos vizinhos graças a formidáveis forças de infantaria e besteiros a cavalo. A agregação de um exército assim só foi possível através da concessão da propriedade de terra aos camponeses e da generalização dos impostos baseados na produção.

O grande exército de terracota

Recuperaram-se até agora cerca de dois mil guerreiros e estima-se que possam existir mais seis mil enterrados. Graças às pormenorizadas anotações dos arqueólogos que escavaram o sítio arqueológico, podemos atualmente usar sistemas de informação geográfica para realizar mapas de distribuição dos guerreiros e das suas armas tal como se encontraram.

Para a produzir, os artesãos tinham de trabalhar um mineral de bário juntamente com quartzo, minerais de cobre e sais de chumbo a altas temperaturas, provocando uma peculiar reacção química. Para aglutinar os pigmentos e conferir-lhes uma consistência pastosa que permitisse a sua aplicação, os pintores usavam materiais orgânicos como ovos e gomas derivadas de produtos animais, que ainda conseguimos detectar através das suas proteínas nas análises biomoleculares.

FOTOGRAFIAS: ©FUNDAÇÃO CV MARQ

Armas de bronze afiadas

Os guerreiros de terracota estavam fortemente armados com espadas, lanças, alabardas, arcos e bestas. Ao contrário das próprias figuras, que são imitações de guerreiros de carne e osso, as armas são verdadeiras, estão prontas para a batalha e são potencialmente letais. As partes fabricadas com materiais orgânicos, como as hastes das lanças ou das bestas, não se preservaram. Em contrapartida, os elementos fabricados com metal mantiveram-se e foram objecto de inúmeros estudos.

©FUNDAÇÃO CV MARQ


Uma das dimensões mais fascinantes do complexo funerário do primeiro imperador é a organização logística existente após a sua construção. A qualquer escala, desde a observação de um minúsculo pigmento sob o microscópio até à apreciação da própria magnitude do local, é inevitável evocar a quantidade extraordinária de materiais, esforços e ideias que convergem neste empreendimento único. Para levar a cabo uma obra como esta, foi necessário obter incontáveis toneladas de recursos naturais e fabricar produtos que não existiam na natureza para depois recriar combinações únicas; mobilizaram-se milhares de pessoas de diferentes culturas, que trouxeram a sua energia e os seus conhecimentos; materializaram-se planos que nunca ninguém antes fora capaz de conceber. Pessoas, materiais e ideias foram as engrenagens de um complicadíssimo relógio que não tolerava erros nem atrasos.

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Fonte: nationalgeographic.pt/historia/exercito-guerreiros-terracota-imperador-china_4959

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